
O Aeroclube do Amazonas (ACA) tem até 40 dias para desocupar todas as suas instalações no Aeroporto de Flores, na zona centro-sul de Manaus. A decisão foi firmada em audiência de conciliação com a Infraero, realizada nesta quarta-feira (22), após meses de disputa judicial pela posse da área.
O acordo encerra um impasse que se intensificou desde 2023, quando a gestão do aeroporto passou a ser responsabilidade da Infraero, por determinação do governo federal. A partir daí, a estatal começou a cobrar valores pelo uso do espaço e apontar irregularidades na ocupação do aeródromo.
Segundo o presidente do Aeroclube, Cassiano Orozco, a instituição optou por aceitar o acordo para evitar penalidades mais graves. “Foi uma decisão difícil, mas necessária. Assim conseguimos impedir a aplicação de multas e a cobrança sobre o patrimônio dos diretores”, afirmou.
Com o acordo, o Aeroclube deverá retirar todos os aviões do hangar, além de esvaziar salas administrativas, de aula e simuladores usados na formação de novos pilotos. A saída também atinge o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC), que forma profissionais para o setor aeronáutico no Amazonas.
Cassiano lamentou o resultado e criticou a postura da Infraero. “Estamos aqui há décadas formando pilotos e ajudando o desenvolvimento da aviação no estado. É triste ver esse trabalho sendo interrompido por uma decisão que não leva em conta o papel social do Aeroclube”, disse.
Mesmo com a saída, a diretoria afirma que as atividades da escola continuarão. “Nosso foco agora é manter as aulas teóricas e buscar alternativas para seguir com as práticas de voo. A ideia é não parar”, completou o presidente.
A Infraero informou que o acordo foi feito dentro da legalidade e que a medida garante o uso regular da área, que pertence à União.
