
Faltando poucos meses para as eleições municipais, em Manaus, os pré-candidatos à prefeitura estão mais preocupados em atacar seus adversários e defender ideologias do que em apresentar propostas que visam efetivamente melhorar a qualidade de vida da população amazonense.
O cenário atual tem sido marcado por embates públicos carregados de críticas mútuas e defesas de posicionamentos políticos, deixando em segundo plano a discussão de soluções para os problemas reais enfrentados na cidade.
Nessa semana, por exemplo, houve um embate entre o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade (UB) e o deputado federal Amom Mandel (Cidadania). Em uma troca de críticas, Cidade reprovou a decisão de Amom de buscar orientação junto ao secretário da Fazenda de São Paulo, apontando-a como um sinal de “despreparo e insensibilidade” para com a importância da Zona Franca de Manaus na geração de empregos e no desenvolvimento econômico da região.
“É muito despreparo. A Zona Franca de Manaus emprega mais de 500 mil pessoas de forma direta e indireta. São Paulo luta há anos para acabar com a Zona Franca de Manaus. Nós amazonenses lutamos há anos para mantê-la. É perigoso ser inexperiente quando se trata de um assunto tão importante quanto emprego. O seu emprego.”, disse Roberto Cidade em post publicado em suas redes sociais.
Outro embate envolve o deputado federal Capitão Alberto Neto e Marcelo Ramos, também pré-candidatos à prefeitura de Manaus. Suas trocas públicas de acusações e defesas políticas têm sido focadas mais em defender seus respectivos padrinhos políticos do que em discutir propostas concretas para a cidade.
Marcelo Ramos desafia os bolsonaristas a apontarem obras significativas de Jair Bolsonaro no Amazonas, enquanto Alberto Neto defende o governo Bolsonaro e afirma que Lula “roubou” em todas as obras realizadas no estado. “O candidato petista Marcelo Ramos pediu para indicar uma obra que Bolsonaro fez para o Amazonas. Nós conseguimos o Licenciamento Prévio, que esse atual governo impediu durante 15 anos”, disse Neto durante uma entrevista a um portal local.
Rebatendo as acusações de Neto a Lula, Marcelo Ramos disse que Bolsonaro “roubou” tudo o que passou pela sua frente enquanto foi presidente da República. “Tudo o que passou pela frente de Bolsonaro, ele roubou. Roubou as joias enviadas ao governo brasileiro, roubou, junto com os filhos, os salários dos funcionários de gabinetes e roubou, acima de tudo, a vida de 700 mil brasileiros e muitos manauaras por negar oxigênio e vacina na pandemia de covid-19”, relembrou Ramos.
A polarização política também se estende à gestão municipal atual, com a empresária e pré-candidata à prefeitura pelo Partido Novo, Maria do Carmo Seffair, criticando veementemente a administração de David Almeida (Avante). Suas declarações ressaltam a discrepância entre a realidade vivenciada pela população e a imagem idealizada propagada pela Prefeitura nas campanhas publicitárias. “Por mais que se tente, essa maquiagem não dura. Basta olhar para como grande parte dos manauaras vive hoje. Aliás, as pessoas estão sendo vistas?”, indagou em post.
Esses embates refletem um novo momento na corrida eleitoral de Manaus, caracterizado por ataques diretos e uma disputa acirrada pela preferência do eleitorado. No entanto, é importante ressaltar que o verdadeiro propósito das eleições municipais deve ser o debate de ideias e propostas que realmente contribuam para a melhoria da cidade e o bem-estar de seus habitantes.
