Manaus,23 de abril de 2026

Polícia aponta fraude em vídeo no caso da morte de Benício

A Polícia Civil do Amazonas concluiu que a médica Juliana Brasil teria encomendado e pago pela adulteração de um vídeo com o objetivo de justificar um erro na prescrição de adrenalina durante o atendimento ao menino Benício Xavier, de 6 anos. A criança morreu após receber a medicação de forma inadequada em um hospital de Manaus.

Benício faleceu no dia 23 de novembro, depois de receber adrenalina diretamente na veia durante atendimento médico. De acordo com a investigação, tanto a via de aplicação quanto a dosagem prescritas não eram indicadas para o quadro clínico da criança. Após a administração do medicamento, o menino sofreu diversas paradas cardíacas e não resistiu.

Durante o inquérito, a defesa da médica apresentou um vídeo que apontaria uma suposta falha no sistema do hospital, sugerindo que o próprio sistema teria indicado a aplicação da adrenalina por via intravenosa. No entanto, perícias realizadas pela Polícia Civil identificaram que o material havia sido manipulado.

Segundo o delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), mensagens extraídas do celular da médica indicam que ela solicitou e pagou pela produção do vídeo alterado. Nos diálogos, a investigada conversa com outros profissionais da área da saúde buscando alguém que pudesse gravar e editar o material para simular falhas no sistema utilizado pelo hospital.

Em uma das mensagens, a médica menciona que precisava de alguém para gravar e cortar o vídeo. Em outro áudio, ela afirma que receberia o material “já alterado”. Para a polícia, esses elementos reforçam a suspeita de fraude processual e indicam possível tentativa de enganar a Justiça.

As investigações também apontaram que, enquanto o menino estava em estado crítico após receber a medicação, a médica trocava mensagens em um aplicativo negociando a venda de cosméticos. Para a polícia, a situação demonstra indiferença diante do estado de saúde da criança e reforça a hipótese de dolo eventual — quando se assume o risco de causar a morte.

Em nota, a defesa de Juliana Brasil afirmou que o vídeo apresentado é autêntico e foi gravado por uma pessoa de confiança em outro hospital que utiliza o mesmo sistema do hospital Santa Júlia. Os advogados também negaram que tenha havido pagamento para a produção do material.

O caso segue em investigação e deve ser encaminhado ao Poder Judiciário para as próximas etapas do processo.

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