Manaus,23 de abril de 2026

Pavimentação da BR-319 volta ao centro do debate entre desenvolvimento e impacto ambiental

A pavimentação do trecho central da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho, voltou a gerar debate após o Ministério dos Transportes autorizar o avanço das obras. A decisão se apoia em uma lei aprovada no fim de 2025 que flexibilizou regras de licenciamento ambiental.

Para o governo federal, as obras seriam classificadas como manutenção e melhoramento de uma estrada já existente, o que dispensaria um licenciamento ambiental completo.

Já especialistas e organizações ambientais contestam essa interpretação. Segundo ambientalistas, o projeto já havia sido classificado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis como empreendimento de significativo impacto ambiental, o que exigiria estudos completos de impacto ambiental e relatório conhecido como EIA/Rima.

A rede Observatório do Clima, formada por mais de 160 organizações, afirma que a pavimentação da rodovia pode acelerar o desmatamento na região. Segundo o grupo, estudos que fazem parte do próprio processo de licenciamento já apontavam esse risco.

Outro ponto levantado por ambientalistas é que populações indígenas da região não teriam sido consultadas, o que, segundo eles, deveria ocorrer conforme determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

Estrada histórica e controversa

A BR-319 tem cerca de 885 quilômetros de extensão. Atualmente, aproximadamente 400 quilômetros ainda são de terra, principalmente no chamado trecho do meio da rodovia.

Para muitos moradores do Amazonas, a estrada é vista como uma conexão importante com o restante do país por via terrestre. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que rodovias na Amazônia costumam abrir caminho para ocupação irregular e desmatamento.

Esse fenômeno é conhecido como “espinha de peixe”, um padrão de desmatamento que se espalha para os lados da rodovia, formando ramificações que avançam sobre a floresta.

A discussão sobre a BR-319 envolve dois lados do debate: de um lado, quem defende a estrada como infraestrutura essencial para o Amazonas; do outro, quem alerta para os impactos ambientais que podem surgir com a pavimentação.

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