
Uma obra de pavimentação da rodovia estadual AM-366, no município de Tapauá, no interior do Amazonas, entrou no centro de denúncias por irregularidades ambientais. O trecho, com cerca de 14 quilômetros já abertos, teria sido construído sem licença ambiental e com invasão de terra indígena homologada.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, os recursos usados na obra vieram de uma emenda parlamentar do senador Omar Aziz (PSD-AM), repassada por meio do programa federal Calha Norte. Mesmo sem autorização dos órgãos ambientais do estado, a prefeitura de Tapauá iniciou a pavimentação do trecho.
Relatórios técnicos do governo do Amazonas apontam que parte da estrada avança sobre território indígena e que a obra também contribuiu para outros problemas, como assoreamento de igarapés e impactos na segurança hídrica de comunidades da região.
Outro ponto citado é que a estrada dá acesso a um lixão irregular mantido pela prefeitura. No trecho ainda sem pavimentação, há bloqueio de pequenos cursos d’água, o que agrava os impactos ambientais.
Tapauá é um dos maiores municípios do Brasil em extensão territorial e não possui ligação terrestre com outras cidades. Especialistas ouvidos pela Folha alertam que obras desse tipo, feitas sem licenciamento, costumam abrir caminho para desmatamento ilegal e outros danos ambientais na Amazônia.
A situação reforça o debate sobre a responsabilidade do poder público e de seus representantes na proteção do meio ambiente, especialmente em regiões sensíveis como o interior do Amazonas.
Informações apuradas com base em reportagem da Folha de S.Paulo.
