
A menos de cinco meses para a chegada do pleito de 2024, partidos já movimentam o cenário de pré-candidaturas seguindo tendências do partido, fazendo articulações de alianças e até rachas internos. O desenho inicial dessas articulações já trouxe resultados irreversíveis nesse processo, como a destituição de pré-candidatos a prefeito e até expulsões partidárias.
O Comun catalogou os principais capítulos do período de lançamentos de pré-candidaturas na capital amazonense. Acompanhe:
Rachas no PL
Dois membros do Partido Liberal (PL) Amazonas e pré-candidatos à vereador protagonizaram uma discussão nas redes sociais em meados de maio deste ano. Ageu Pontes, jornalista do perfil “O Jornalista Baré”, acusou o delegado Rafael Costa e Silva de fazer ameaças de agressão física. A denúncia foi publicada em seus perfis, no dia 4 de maio.
Tanto Ageu Pontes, quanto o delegado Costa e Silva são pré-candidatos pelo Partido Liberal em Manaus para o cargo de vereador.
Antes da troca de farpas e processos envolvendo os dois pré-candidatos, o partido já enfrentava, desde novembro de 2023, um racha interno às vésperas do ano eleitoral envolvendo o deputado federal Capitão Alberto Neto e o ex-superintendente da Suframa, Coronel Menezes.
O conflito resultou na expulsão de Menezes da legenda. Com a chega do período de lançamento de pré-candidaturas, uma trégua entre Alberto Neto e o Coronel da reserva chegou a ser ensaiada para uma possível “chapa puro-sangue”. Apesar do ensaio, apenas o deputado federal foi lançado oficialmente por Bolsonaro nas eleições 2024 como candidato a prefeito.
Sem a “unção” de Bolsonaro e expulso do PL, Menezes se alinhou ao grupo político do governador Wilson Lima (União) e filiou-se ao Partido Progressista. No PP, Menezes entrou como presidente municipal da sigla onde vai concorrer ao cargo de vereador.
Por coincidência ou não, Débora Menezes (PL), filha do Coronel Menezes foi destituída da presidência do PL Mulher em Manaus, semanas antes da visita da ex-primeira-dama à capital amazonense, Michelle Bolsonaro. Alberto Neto tirou a presidência da deputada estadual e passou para a própria filha.
Débora Menezes recebeu Michelle em Manaus para a entrega do título de cidadã amazonense. O evento também trouxe o ex-presidente Jair Bolsonaro que fez o lançamento de pré-candidatura do deputado federal a prefeito.
“Tendências do PT”
Apesar de se distanciarem do termo “rachas” e preferirem o termo “tendências”, o partido dos trabalhadores pareceu enfrentar um verdadeiro racha interno entre lideranças do PT em Manaus e a então pré-candidata a prefeita, Anne Moura. Lideranças da legenda demonstraram descontentamento com uma entrevista da militante à Folha de São Paulo.
Na uma entrevista sobre a participação feminina de mulheres em pleitos majoritários, a secretária nacional de mulheres apontou que estaria sofrendo violência política em Manaus. “Dirigentes locais inviabilizaram minha candidatura e isso é muito típico de violência política de gênero”, citou Anne.
O ruído gerado após a entrevista da Anne Moura foi parar novamente na direção nacional da legenda. A direção já havia sido “acionada” semanas antes para o convite direcionado a Marcelo Ramos, para disputar o pleito 2024 como pré-candidato a prefeito.
Ramos entra no PT quando as lideranças estaduais não chegaram a um consenso entre: Anne Moura, Valdemir Santana, Sinésio Campos, Sassá da Construção Civil e Eron Bezerra como pré-candidatos a prefeito pela federação PT-PCdoB-PV.
Os ruídos entre Anne Moura e as direções municipais só tiveram um “cessar fogo” quando Lula apareceu nas redes sociais ao lado de Anne e Marcelo Ramos. A palavra final sobre o tema, definiu Ramos como pré-candidato a prefeito e Moura como pré-candidata a vereadora.
A escolha do Psol
Ainda no campo da esquerda, o Psol não seria a única legenda a ter tendências internas. Partido Socialismo e Liberdade em Manaus também possui atualmente um campo de discussão acerca do nome quem vai caminhar com a bandeira da legenda na corrida para a prefeitura de Manaus.
O pré-candidato a prefeito pelo Psol em Manaus, Thomaz Barbosa, defende que a legenda chegue a um entendimento em torno de uma aliança que unifique o grupo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na capital.
O pré-candidato esteve presente no ato que confirmou Marcelo Ramos como pré-candidato do PT a Prefeitura de Manaus.
Thomaz diz que as três pré-candidatos do Psol estão mantidas mas que não abre mão de dialogar com outros grupos políticos do campo progressista. Além de Thomaz Barbosa, o Psol tem como pré-candidatos Natália Demes e Marcelo Amil.
Tendências são “tradicionais”
O cientista político Helson Ribeiro explica que tendências e até conflitos no campo de idéias são classificados como naturais e devemos ocorrer com mais frequência. Helson cita partidos e federações como o PSDB-Cidadania, federação que deve abrigar Amom Mandel nas eleições 2024.
“Tradicionalmente, eu diria que a totalidade dos partidos tem donos. Então, aquela liderança que é dona do partido, ele é o nome que vai determinar a nominata do partido, quem vai ser candidato, quem não vai ser, isso é uma tradição. É bom lembrar que cada partido de federação terá que ter 42 candidatos, então, tem tendências que ainda que minoritárias, elas são protagonistas. Isso a gente vê muito forte dentro do PT, mas os outros partidos também você consegue ver esse tipo de posicionamento, por exemplo, na federação PSDB-Cidadania, a gente vai ver isso também na direita”, explica.
