MANAUS – O jornal francês Libération desta segunda-feira (1°) traz uma reportagem sobre o povo Juma, da Amazônia, que segundo o texto, pode desaparecer. O último representante homem dos Juma, Amoim Aruká, morreu no dia 17 de fevereiro, aos 86 anos, vítima da Covid-19.
O jornal francês Libération desta segunda-feira (1°) traz uma reportagem sobre o povo Juma, da Amazônia, que segundo o texto, pode desaparecer. O último representante homem dos Juma, Amoim Aruká, morreu no dia 17 de fevereiro, aos 86 anos, vítima da Covid-19.
Ao longo de toda a sua vida, Amoin Aruká foi testemunha de uma série de massacres que reduziram seu povo de 15.000 indivíduos, no início do século XX, a cinco, em 20. “Defensor fervoroso” da floresta Amazônica, Aruká lutou, desde 2004, para que suas terras obtivessem o estatuto oficial de território indígena. Sua morte é um “evento trágico” para os respresentantes da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), que denuncia o abandono das tribos.
De acordo com a entidade, desde julho, o povo Juma deveria ter sido incluído nos grupos protegidos pela Polícia Federal ou por agentes da Funai, a Fundação Nacional do Índio, para impedir a entrada de estrangeiros em seu território. “Os povos autóctones fizeram essa demanda para se preservar da pandemia”, explica Sébastien Rozeaux, professor de história da Universidade Jean-Jaurès, de Toulouse.
Hoje, os povos autóctones representam 0,4% da população do país. Desde o início da crise sanitária, “973 mortes e 50.000 casos” foram registrados entre eles. Existem várias explicações para esses números. “Essas comunidades têm acesso limitado aos cuidados de saúde”, analisa Rozeaux. Por outro lado, “sofrem com a ausência de proteção por parte do governo”, acrescenta.
Para Irène Bellier, diretora do Centro Nacional de Pesquisa Científica e vice-presidente do grupo internacional de trabalho para os povos autóctones, a prioridade tem sido o desenvolvimento econômico da região, “com inúmeros projetos de mineração, exploração de petróleo e agronegócios autorizados pelo Estado”.
