De dois em dois anos acontece a mesma cena.
Aparecem os abraços demorados nas feiras, as fotos com criança no colo, o café improvisado na casa da dona Maria e o pastel de feira que, de repente, vira prato preferido de muito pré-candidato.
É a temporada da simpatia.
Da caminhada na periferia.
Das promessas que parecem ter sido guardadas justamente para esse momento.
Bairros que passaram anos esquecidos voltam a aparecer no roteiro político. Ruas esburacadas viram cenário de vídeo, comunidades viram palanque improvisado e a palavra “povo” passa a ser repetida em cada discurso.
Junto com isso, também começa a temporada dos escândalos, dos apontamentos de dedo e das acusações cruzadas.
É o jogo da política em ano pré-eleitoral.
Mas a pergunta que fica, nas entrelinhas, é simples:
por que a periferia só vira prioridade em tempo de campanha?

