Manaus,6 de março de 2026

Operação Negócio Turvo mira grupo suspeito de golpe milionário; PL expulsa filiado investigado

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrou, nesta quarta-feira (25), a Operação Negócio Turvo, que investiga uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes e lavar dinheiro no Amazonas e no Rio de Janeiro. Entre os investigados está o pastor Anderson Ricardo Lima dos Santos, conhecido nas redes sociais como Anderson Bandeira.

Segundo a polícia, o grupo é acusado de praticar crimes como organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Anderson, Emanuelle Rosa Ramos dos Santos e Carlos Augusto Freitas seguem sendo procurados.

Nas redes sociais, Anderson reúne mais de 14 mil seguidores e utiliza o lema “Eu vi o futuro e decidi viver nele”. Ele se apresenta como pastor e foi anunciado como pré-candidato a deputado estadual para 2026 durante evento do Partido Liberal (PL) no Amazonas. Em registros públicos, aparece ao lado de lideranças políticas, incluindo a pré-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo, e o presidente estadual do partido, Alfredo Nascimento.

Após a operação, o PL Amazonas divulgou nota oficial informando que Anderson foi expulso da legenda por não atender aos valores e diretrizes do partido. A decisão foi comunicada ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), e o nome dele não integra mais o quadro de filiados.

Como funcionava o esquema

De acordo com o delegado Leonardo Marinho, titular do 25º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o grupo atuava de forma estruturada e tinha como alvo principal servidores públicos.

A organização utilizava dados disponíveis em portais da transparência para identificar servidores com margem para empréstimos consignados. O golpe funcionava em três etapas:

Falsa promessa: A vítima era convencida a contratar empréstimos bancários de alto valor e transferir o dinheiro para o grupo.

Isca financeira: Os criminosos prometiam pagar as parcelas do empréstimo e ainda oferecer lucro mensal garantido.

Interrupção dos pagamentos: Após quitar as primeiras parcelas para ganhar confiança, prática comum em esquemas de pirâmide, o grupo suspendia os repasses. As vítimas ficavam com dívidas elevadas junto aos bancos.

Segundo a polícia, parte dos investigados já teria atuado em outro esquema semelhante anteriormente. O prejuízo estimado pode chegar a R$ 75 milhões.

As investigações seguem em andamento.

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