
Há datas que não passam.
Elas ficam.
14 de janeiro não é só um marco no calendário. É uma lembrança que pesa. Uma memória coletiva construída no silêncio dos corredores, na falta de ar, no desespero de quem precisava respirar e não podia esperar.
Manaus parou naquele dia.
Hospitais lotados. Portas fechadas. Pessoas carregando cilindros como se carregassem a própria esperança. Famílias assistindo, impotentes, ao colapso de algo que nunca deveria ter faltado: o básico para viver.
Cinco anos depois, o sofrimento ainda ecoa.
Não apenas pela dor das perdas, mas pelo vazio das respostas. Ninguém foi responsabilizado. Nenhuma explicação que devolvesse dignidade àqueles que partiram sem oxigênio e aos que ficaram sem justiça.
Essa data não pede revanche.
Pede memória.
Porque esquecer é permitir que se repita.
E lembrar, mesmo doendo, é a única forma de honrar quem não teve ar, mas deixou um grito que ainda precisa ser ouvido.
