
A pré-candidata do PL para o Governo do Amazonas, professora Maria do Carmo, participou, nesta sexta-feira (12/12), da audiência pública “A Rota do Crime: Quem manda no Amazonas? O Estado ou as Facções?”, promovida pela Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal de Manaus. A audiência foi presidida pelo vereador Coronel Rosses (PL) e contou também com a presença do presidente do PL Amazonas, Alfredo Nascimento, além de membros do sistema de justiça, representantes das forças policiais, estudantes universitários e sociedade civil organizada.
Durante a audiência, foram destacados o uso estratégico dos rios amazônicos, como Solimões, Negro, Juruá e Madeira para o tráfico de drogas, armas, ouro e outros ilícitos, além das fragilidades institucionais que favorecem a atuação das facções. Especialistas enfatizaram que a proteção das rotas fluviais e das fronteiras exige presença permanente do Estado, inteligência integrada e tecnologia, com atuação conjunta entre forças estaduais, federais e órgãos de controle.
Experiências do Rio de Janeiro, como operações integradas de alta complexidade e planejamento logístico robusto, foram apresentadas como referência. Os participantes também chamaram atenção para a interiorização da violência, a tentativa de substituição do Estado por “justiças paralelas” e a consolidação de economias ilegais que impõem regras e taxas à população.
Outro ponto central foi o combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do crime. Especialistas defenderam que “seguir o dinheiro” é essencial para descapitalizar organizações criminosas, com foco em setores vulneráveis e na necessidade de rastreabilidade de ativos como o ouro. Sem atacar o fluxo financeiro, ressaltaram, a repressão armada isolada não desestrutura as facções.
“Daqui, certamente, sairão ótimas soluções e me coloco à disposição para reforçar as medidas viáveis em nossos projetos. A gente precisa mudar essa triste realidade do nosso Estado, que estampa os piores índices de violência. Sabemos da necessidade de maiores investimentos para fortalecer nossas polícias e, principalmente, combater o narcotráfico. Mas sem compromisso político real, nada será possível”, afirmou a pré-candidata.
Maria do Carmo também defendeu maior integração entre os poderes e cobrou medidas mais duras da Justiça.
“Não se pode ter benevolência com criminosos. Bandido precisa ser punido com o rigor da justiça”, disse, ao relatar experiência pessoal de insegurança. Em 2011, seu esposo, Wellington Lins, foi vítima de sequestro; o mentor do crime, um menor à época, após ser solto, matou outras duas pessoas.
A audiência ainda discutiu a necessidade de fortalecer a formação policial, investir em equipamentos modernos, ampliar a inteligência financeira e aprimorar a integração entre Polícia Federal, polícias estaduais, Ministério Público, Judiciário e Guardas Municipais. Foram citados resultados operacionais recentes no Amazonas, com recordes de apreensões de drogas e armas, mas também a rapidez de reposição do arsenal criminoso, o que demanda estratégias interestaduais e internacionais.
