Manaus,6 de março de 2026

França vai oferecer bolsas de doutorado para indígenas do Brasil

A partir de novembro, estudantes indígenas do Brasil poderão concorrer a novas bolsas de doutorado na França. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (27), durante uma cerimônia no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus.

O acordo foi assinado entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Embaixada da França no Brasil, ampliando o Programa Guatá – Mobilidade de Discentes Indígenas, criado em 2023. Agora, o programa passa a contar também com o apoio do Ministério da Educação (MEC).

Nesta nova fase, serão oferecidas até 20 bolsas de doutorado sanduíche, com duração de até nove meses. O investimento total é de R$ 1,7 milhão, incluindo mensalidades, auxílio de instalação, transporte e seguro-saúde. Cada bolsista também receberá uma ajuda mensal de R$ 7 mil, paga por instituições parceiras brasileiras.

Durante o evento, o embaixador da França no Brasil, Emmanuel Lenain, destacou a importância do projeto para a ciência e a inclusão.

“Esses alunos voltam com novos conhecimentos e fortalecem a colaboração entre os países. Esse programa mostra que é possível construir uma ciência mais representativa e diversa”, disse.

A presidente da Capes, Denise Carvalho, afirmou que a intenção é aumentar o número de bolsas em 2026, especialmente para estudantes da região Norte, onde está a maioria dos doutorandos indígenas do país.

A indígena Alícia Patrine, do povo Kokama, participou da primeira edição e contou como o intercâmbio ampliou sua visão sobre a união entre o saber tradicional e a ciência.

“Entendi que o nosso conhecimento também tem valor científico. Foi uma experiência transformadora”, disse.

O edital completo com as regras e inscrições estará disponível em novembro nos sites da Capes e da Embaixada da França no Brasil.

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