
Um documento publicado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em 2025 revelou que os agentes do órgão já sabiam, com meses de antecedência, que Manaus enfrentaria falta de oxigênio durante a pandemia da covid-19.
Segundo os relatos, a cidade virou símbolo do colapso na saúde e da resposta falha do governo federal. Os agentes disseram que enviaram relatórios com alertas sobre o aumento dos casos, a sobrecarga nos hospitais e até a possibilidade de contágio entre indígenas por causa do garimpo.
Em um dos trechos, um agente afirmou que a realidade mostrada pela Abin nos documentos era diferente do que o governo dizia. “Diziam que a mídia estava exagerando, mas a verdade era ainda pior do que mostravam”, contou.
Ainda de acordo com esse agente, as primeiras notícias sobre o novo coronavírus chegaram a ele em 2019, durante uma conversa com representantes do consulado do Japão, em Manaus. Na época, a preocupação já era sobre uma possível epidemia vindo da China.
A partir daí, os relatórios da Abin sobre a pandemia em Manaus passaram a ser diários. O agente relatou cenas tristes: filas de carros indo para o cemitério, falta de oxigênio e pessoas morrendo sem atendimento. Ele também revelou que as mortes estavam sendo subnotificadas, já que só entrava nas estatísticas quem havia feito teste e os testes eram poucos.
“Era visível. Gente morrendo em frente aos hospitais, corpos sendo enterrados com pressa. A cidade virou um caos”, concluiu.
