Manaus,6 de março de 2026

Abin avisou com antecedência sobre falta de oxigênio em Manaus, mas alertas foram ignorados

Um documento publicado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em 2025 revelou que os agentes do órgão já sabiam, com meses de antecedência, que Manaus enfrentaria falta de oxigênio durante a pandemia da covid-19.

Segundo os relatos, a cidade virou símbolo do colapso na saúde e da resposta falha do governo federal. Os agentes disseram que enviaram relatórios com alertas sobre o aumento dos casos, a sobrecarga nos hospitais e até a possibilidade de contágio entre indígenas por causa do garimpo.

Em um dos trechos, um agente afirmou que a realidade mostrada pela Abin nos documentos era diferente do que o governo dizia. “Diziam que a mídia estava exagerando, mas a verdade era ainda pior do que mostravam”, contou.

Ainda de acordo com esse agente, as primeiras notícias sobre o novo coronavírus chegaram a ele em 2019, durante uma conversa com representantes do consulado do Japão, em Manaus. Na época, a preocupação já era sobre uma possível epidemia vindo da China.

A partir daí, os relatórios da Abin sobre a pandemia em Manaus passaram a ser diários. O agente relatou cenas tristes: filas de carros indo para o cemitério, falta de oxigênio e pessoas morrendo sem atendimento. Ele também revelou que as mortes estavam sendo subnotificadas, já que só entrava nas estatísticas quem havia feito teste e os testes eram poucos.

“Era visível. Gente morrendo em frente aos hospitais, corpos sendo enterrados com pressa. A cidade virou um caos”, concluiu.

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