Manaus,4 de abril de 2025

Voz nas vozes pela liberdade

Ivânia Vieira*

Ivan Brito é um ser inquieto. Perturbador mesmo. As armadilhas da vida tentaram laça-lo e, assim, acomodar o jornalista na versão de burocrata no trato das coisas públicas. Não conseguiram até esta data. O garoto do Jorge Teixeira, agora adulto, continuou a futricar a partir da comunicação e do jornalismo. Andou por muitos cantos, descobriu porção expressiva das atitudes humanas e percebeu a estrada aberta para fazer coisas legais, como amplificar as vozes da comunidade, das juventudes o que implica em agir comunicacional noutra perspectiva.

Uma delas, o ‘Fala Caboco”, o espaço nascido no formato blog abrigou e abriga memórias preciosas das gentes de Manaus e do Amazonas, histórias de vida que ao tomarmos conhecimento nos religa a um sentido: Viver. E nos proporciona questionar modos de vida. São aprendizados a partir da fala do Outro e de um Outro normalmente ‘pouco importante’ na lista que modeliza as audiências.

Na rádio, o ‘Fala Caboco’, chega neste março ao 7º aniversário. É uma criança, determinada. Os ataques ao jornalista, bloqueios, reações do ódio e da ignorância até à invasão da rádio ‘A Voz das Comunidades’ (a 87,9 FM) quando Ivan a dirigia e apresentava o programa, não o fizeram recuar. Continuou a juntar gente para fazer falar o fala caboco.

O microfone do programa radiofônico é polifônico. Nele soltam-se as diferentes vozes que traduzem o cotidiano da cidade de Manaus, do Amazonas e analisam o Brasil. Do popular ao cientifico, dos progressistas aos conservadores, religiosos e não religiosos, há um lugar no ‘Fala Caboco’.

Manter-se nessa postura é desafiador. Ivan Brito e a turma do ‘Fala Caboco’, desafiados, fazem hoje a festa de um agir na comunicação que vale muito porque não escamoteia acordos que assujeitam pessoas e lugares. Exercita, em meio a inúmeras dificuldades, a autonomia e a liberdade que implicam na vivência do respeito, um valor cada vez mais abandonado no Brasil. Hoje, ao ver esse caminho de sete anos do ‘Fala Caboco’, aplaudimos a inquietação do jornalista e a determinação em fazer acontecer. O programa é uma utopia realizada na comunicação.

*Jornalista, doutora em Processo Socioculturais na Amazônia e professora na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). 
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