Manaus,4 de abril de 2025

Imparcialidade e cinismo – Parte 2

 *Ivan Brito

Na vida é necessário sempre se posicionar. Por isso, desde o primeiro momento da campanha eleitoral de 2020, nos posicionamos. Apoiamos a campanha de Amazonino Mendes e isso era feito de forma transparente com nossos leitores, ouvintes e telespectadores.

Esse apoio tinha lógica e razão. Apoiamos Amazonino por tudo que ele já fez pelo Amazonas e por tudo que ainda poderia fazer por nossa cidade. Nosso candidato reunia experiência e competência, qualidades que muitos dos seus adversários, e hoje detratores, enalteceram em vídeos gravados em campanhas passadas, sempre com palavras muito elogiosas ao Negão.

Diferente de nosso posicionamento, outros comunicadores e veículos de comunicação invocaram a combalida imparcialidade para se absterem de tomar partido na campanha. Não tinham lado (pelo menos declarado), mas destilavam nos títulos das matérias, nas entrelinhas dos textos, nas palavras registradas em áudios e vídeos, de forma cínica, toda sorte de preconceitos e achismos. Tudo na contramão da boa prática jornalística. Trocavam os fatos por ilações; as análises por interpretações pessoais; manipulando a opinião pública, corroborando narrativas esdrúxulas e levando parte de seu público a conclusões enviesadas.

Num mundo ideal seria normal, ético e civilizado que os veículos de comunicação declarassem publicamente seu apoio aos seus candidatos. Assim, o público poderia escolher de forma consciente os produtos jornalísticos que iria consumir. Contudo, hoje a população é refém daqueles que se auto-intitulam imparciais mas são meras “penas de aluguel” pagos para desinformar, constranger e perseguir, sempre esperando prêmios futuros pela execução do trabalho sujo.

Na academia, redações e sindicatos não é atual a discussão sobre a crise do jornalismo na contemporaneidade. O jornalismo vive múltiplas crises (quem é do ramo sabe), que vai da “pejotização” dos vínculos empregatícios, aos frequentes “passaralhos” nas redações.

Mas quero trazer a luz uma das crises mais graves vividas pelo jornalismo, que é a crise de credibilidade. Por causa de comportamentos como esses que narrei sobre a última eleição, cada vez menos o público tem os veículos de comunicação e, consequentemente, os jornalistas, como fonte confiável de informação. Nós, profissionais da área, devemos fazer uma autocrítica e trabalhar de forma ética para mitigar essa descrença que paira sobre o fruto de nosso trabalho.

*Jornalista e apresentador do programa Fala Caboco

Share