*Ivan Brito
Com quarenta anos de vida pública Amazonino Armando Mendes deu um exemplo magnífico ao disputar essa última eleição. Política se faz na disputa (e ele bem sabe disso) de mentes e corações ao se discutir planos e projetos, ao ir para ruas escutar e aprender com a sabedoria que vem do povo.
Ele sabe também da importância da disputa política para o fortalecimento das instituições, para o amadurecimento da democracia representativa e, sobretudo, para que as demandas da sociedade sejam ouvidas e reverberadas.
Devemos exaltar Amazonino que, aos 81 anos de idade, enfrentou de peito aberto e cabeça erguida uma campanha cheia de ódio, dissimulação e mentiras. Onde propostas foram pouco discutidas e pessoas e reputações foram enxovalhadas.
Devido a pandemia e por ser de grupo de risco esse homem octogenário teve que se reinventar. No primeiro turno utilizou a tecnologia e fez comícios em forma de lives, transmissões ao vivo, onde conversava com a população dos locais mais nobres da cidade aos rincões mais distantes. Quando seu coração mandou, se expondo a um risco calculado, foi às ruas fazer visitas e comícios, onde se emocionou e emocionou a todos.
Sem apoios políticos (partidários, religiosos ou de qualquer outra natureza) que o amarrassem falou em sua campanha sobre diversos temas, mas, principalmente, em como preparar Manaus para o futuro. Mas quis o destino, e 51,27% dos votos válidos no segundo turno, que o futuro de Manaus estivesse em outras mãos.
Perder faz parte do jogo político, quem é do meio sabe disso. Mas, primeiramente, perder faz parte da vida. “A cada escolha, uma perda” diz a sabedoria que vem das ruas. Nessa eleição todos nós saímos perdendo um pouco.
Amazonino perdeu essa eleição, mas resumi-lo a uma derrota é muita ignorância ou mau-caratismo. Ele é, sem dúvida, uma das maiores figuras política de toda história do Amazonas. Prefeito de Manaus por três vezes, Governador do Amazonas por quatro vezes e Senador da República. Um currículo ímpar que será case de muitos estudos ao longo das próximas décadas. Até breve, Caboco!
*Jornalista e apresentador do programa Fala Caboco